segunda-feira, 31 de outubro de 2011 Entrevista, Literatura | 11:37

Marcelo Mirisola, um escritor que incomoda

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Marcelo Mirisola lança nesta segunda-feira, às 19h, na Mercearia São Pedro seu novo romance Charque, pela Editora Barcarolla, e com menu gastronômico e tudo: carne de sol desfiada puxada na manteiga com cebola. O tradicional point de escritores na Vila Madalena promete lotar ainda mais para receber o irreverente Mirisola que trocou São Paulo pelo Rio sem o ônus de perder os admiradores da sua literatura.

Sobre Charque

“É uma continuação, e não uma “releitura”, ele abomina esse termo do Azul do Filho Morto, e o melhor: ele não começa onde o Azul do Filho Morto terminou, mas a partir da primeira página. Trata-se, pois, da autobiografia de um reincidente, cuja vida e a obra, às vezes, coincidem ipsis-litteris com os poucos acertos e os muitos enganos que andei cometendo por aí”, afirma, irreverente e corajoso, como sempre.

Marcamos um papo com Mirisola, num dos ambientes, que ele mais gosta, e conversamos sobre toda sua trajetória, embalados por um bom vinho.

Conversas etílicas…

O escritor que já viveu em Florianópolis, São Paulo e agora no Rio, não economiza o verbo, nem na escrita na hora de falar do meio literário. Debochado, Mirisola fala nesse trecho de Memórias da Sauna Finlandesa, editora 34, da Flip, onde é persona non grata. “Cada vez, há menos escritores brasileiros. Não sei porque vão lá, acho que em busca de vale refeição!”. Brinca que ainda vai merecer ser entrevistado por Edney Silvestre

Mirisola lê trecho de Memórias da Sauna Finlandesa

Desde pequeno, o Rio de Janeiro é um lugar proibido para um paulistano. Memórias trata muito disso daí porque não ir para o Rio de Janeiro e por que estabelecer as bases de todos os traumas, preconceitos, de todos os entraves da infância no Boqueirão em Santos. Memórias da Sauna Finlandesa não deixa de ser autobigráfico. “É um livro de contos que fala da água suja do Rio Pinheiros que um garoto de classe média alta bebeu nos anos 70 e 80. É o resultado disso tudo”, acrescenta Mirisola. Memórias é a história de um garoto filho de comerciantes prósperos em São Paulo, meio que caipira morrendo de medo do Rio de Janeiro. Um dia veio para cá, se apaixonou pelo Rio, teve um caso de amor no Rio de Janeiro, viveu isso tudo no Rio de Janeiro, levou um pé na bunda, e voltou para São Paulo triste, mas apaixonado pelo Rio…

… A história de um cara que bebeu a água suja do Rio Pinheiros e veio depois beber a água suja aqui de Copacabana.”

Autor: - Categoria(s): Entrevista, Literatura Tags: , , , , , , , , , , , ,

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6 comentários para “Marcelo Mirisola, um escritor que incomoda”

  1. francisco carlos marrocos disse:

    Mona Dorf, na década de 70 dizíamos que a televisão era uma ” máquina de fabricar loucos” e não sem razão, pois eis aí um deles com o diferencial de haver encontrado um “Pistolão” de igual teor e forma para lhe dar um empurrãozinho e celebrá-lo como digestível, mais exatamente, para seu público alvo tipo “bicho-grilo” endinheirado e ociosos da decadente classe média. Portanto, não é do meu agrado ele tem fatos mas não possui idéias se repete como os “habitues” seus iguais, ora para alavancar juízos é necessário possuir ‘background” por conseguinte dispensável o vinho.

  2. Raimundo Cavalcante disse:

    É claro que Mirisola não é aconselhável para quem consome literatura de sacristia, regada à água-benta e obreia santa.
    Mas para mim demorou muito do penúltimo para este CHARQUE!
    Valeu Mirisola!

  3. francisco carlos marrocos disse:

    Mona Dorf, olá, É isso mesmo Senhor Raimundo Calvacante, nós quando estudamos filosofia na USP fazemos contato com essa coisa de sacristia, onde lemos por ser matéria obrigatória aos autores Santo Agostinho e São Thomás de Aquino, isto em Filosofia Medieval. Quanto ao Senhor Marcelo Mirisola eu pergunto aonde estava você em 1965/66/67/68/69/70…, certamente na sua santa inocência enquanto eu e meus amigos intelectuais, atores, jornalistas e escritores, assim como, as moças de fino trato lutávamos pela LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DE IR E VIR, ocasião em que muitos amigos sumiram, foram mortos, torturados pela DITADURA, de modo que a liberdade que o senhor Mirisola e sua geração desfrutam os senhores devem a essas pessoas que sangraram na alma para que isso fosse possível, portanto, o Senhor nos deve nunca submissão mas gratidão e respeito, como também, aos escritores da Academia Paulista de Letras. Seja feliz, porém, não é um bom negócio dar uma de franco atirador nos próprios pés. Abraços.

  4. Lucia Moreira disse:

    Mona, porque falar de autores que NÃO EXISTEM? Midiático sim, mas pouco ou nada contribuiu para uma literatura brasileira de 1º Mundo. Como também os brasileiros convidados para a FLIP (no que ele tem razão: se inexpressivos mundialmente são convidados, porque não ele?) Quanto ao comentário do senhor acima, me poupe: em 65, o Mirisola nem havia nascido. E eles lutaram para quê? Para anarquisar e deixar o país a mercê do que vemos hoje: miséria, corrupção, individualismo, oportunismo? Não, essa geração dos 60/70 não contribuiu com nada sólido e, ao contrário do alarde, produziram uma sociedade pobre e sem conteúdo, inclusive na literatura. É triste…

  5. francisco carlos marrocos disse:

    Mona Dorf, muito bem, os leitores e ou simpatizantes do escritor Marcelo Mirisola estão aí se manifestando coisa que acho ótimo. Senhora Lucia Moreira quando se muda num país o sistema de governo, mais exatamente, da DITADURA para a DEMOCRACIA toda as atenções se voltam ao centro do Poder porque urge estabelecer uma nova Ordem por que foi assim desejada por todos os meios, isto posto, o pressuposto desse novo governo – a democracia- se plenifica ao se voltar ao POVO pois dele é o Poder. Então a senhora entende que nestes 20 (vinte anos) governados por aqueles que peitaram o anterior regime mesmo correndo riscos como: Ser expulso do seu país, ser preso e tortura, levar sumiço etc , não ocorreu a seu ver melhorias sociais e econômicas? A senhora demente então o Presidente OBAMA quando no Rio de janeiro declarou entre outras coisas: …MILHÕES SAÍRAM DA LINHA DA POBREZA…ISTO AQUI É UMA DEMOCRACIA…O FUTURO CHEGOU…, pergunto-lhe? O senhor Mirisola é um caso à parte, de modo que, o questionamento seria ” Os autores de pós regime de exceção no que diferem” isto porque nos anos 60/70 ele se expressando com tamanha liberdade seria preso ou exilado, mas não agora, devido ao livre exercício de escritor, que modéstia parte NÓS CONQUISTAMOS e a senhora como o senhor Mirisola terão que engolir essa verdade, com a devida ” vênia”.

  6. fao disse:

    o meu Charque acabou de chegar, leio Mirisola desde o `Fátima fez os pés pra mostrar na chopperia`, a questão é, verdade seja dita, não existe no pais outro escritor que usa do humor, deboche e transgressão como Mirisola,..falar que me inriqueço com a literatura dele é mentira, eu só sou toco nas verdades…
    depois de Hilda Hilst, é ele…

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